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Em memória de M. Luther King e D. Bonhoeffer
09/06/2007 - Clemir Fernandes
 

Há pessoas que, embora biologicamente vivas, na verdade
já morreram, afinal, “suas idéias não correspondem aos fatos”, como disse o
poeta maldito. Pensam, dizem e/ou escrevem acerca de assuntos sem qualquer
relevância, pertinência ou razoabilidade em relação ao mundo atual. Além de
terem práticas inomináveis. São vivos, porém,
mortos!




 


Por outro lado existem pessoas que, tendo morrido – às
vezes, há décadas  –, continuam muito vivas, isto é, seu pensamento, ensinos,
posição, perspectiva são conhecidos, admirados e, de alguma forma, imitados,
cada vez mais por contingentes maiores de pessoas. São mortos, porém, vivos.
Mortos muito vivos!



 


 



 


No primeiro caso, os vivos mortos, podemos citar
figuras, “non gratas” é verdade,
como o ex-ditador chileno Pinochet e o deputado-coronel Ubiratan, chefe da
polícia que invadiu o Carandiru, resultando na morte de 111 presos. Por mais que
tais “seres inumanos” encontrem defensores, eles, seus pensamentos e práticas
repulsivas serão apagados da história, ficando apenas a legenda de personagens
indignos de qualquer ato a ser imitado. Pelos menos para pessoas de bem e que
lutam por uma ordem social mais justa, fraterna, humana,
evangélica.




 


Sobre os mortos-vivos, dentre tantos que podem ser
destacados, enfoco dois pastores, um luterano alemão e outro batista
norte-americano, Dietrich Bonhoeffer e Martin Luther King Júnior. Neste 4 de
abril de 2006, recorda-se precisamente os 38 anos de sua morte (4/4/68). Hoje, o
número de pessoas, em todo mundo, que conhecem, respeitam, lêem, admiram o
pastor negro, prêmio nobel da paz e um gigante de Deus, é bem maior quando ele
estava ainda vivo. O outro, Bonhoeffer, morto em 9 de abril de 1945, por ordem
expressa de Hitler, em função de sua resistência ao nazismo alemão e submissão,
embora controversa, a Deus. As obras do pastor e teólogo alemão, líder da igreja
confessante, estão traduzidas em diversas línguas e os estudos acerca de sua
teologia e vida pastoral são numerosos em todo mundo. A Editora Sinodal, que
publica periodicamente no Brasil quase todos os seus livros, relançou
“RESISTÊNCIA E SUBMISSÃO”, numa edição atualizada. Sobre Luther King, a Jorge
Zahar Editor, lançou no domingo, 03/04, um livro do líder pelos direitos civis
nos Estados Unidos, chamado “UM APELO À CONSCIÊNCIA – Os melhores discursos de
M. L. King”.



 


 



 


Os dois mortos-vivos foram assassinados no desabrochar
de sua maturidade, no início de sua capacidade e criatividade intelectual, no
princípio de sua liderança pelas causas libertárias... Quanto mais teria ganhado
a humanidade com a vida longa, isto é, toda a contribuição, ampla, sábia,
transformadora, em tantas áreas, destes personagens especiais, destes servos de
Deus?! Entretanto, aos 39 anos, ambos tiveram suas vidas violentamente ceifadas.




 


Ao lembrar destes fatos marcantes em abril, somos
desafiados a conhecer mais e melhor a vida e contribuição desses
personagens-símbolos da luta pela justiça no século XX e dessa forma nos
inspirar, sobretudo naquele que é Senhor de Bonhoeffer e King, Jesus de Nazaré,
a fim de que possamos ver os problemas, as injustiças, os pecados de nosso tempo
e assim, agir radicalmente, como esses pastores ativistas do
bem.

 
 
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