Há pessoas que, embora biologicamente vivas, na verdade já morreram, afinal, “suas idéias não correspondem aos fatos”, como disse o poeta maldito. Pensam, dizem e/ou escrevem acerca de assuntos sem qualquer relevância, pertinência ou razoabilidade em relação ao mundo atual. Além de terem práticas inomináveis. São vivos, porém, mortos!
Por outro lado existem pessoas que, tendo morrido – às vezes, há décadas –, continuam muito vivas, isto é, seu pensamento, ensinos, posição, perspectiva são conhecidos, admirados e, de alguma forma, imitados, cada vez mais por contingentes maiores de pessoas. São mortos, porém, vivos. Mortos muito vivos!
No primeiro caso, os vivos mortos, podemos citar figuras, “non gratas” é verdade, como o ex-ditador chileno Pinochet e o deputado-coronel Ubiratan, chefe da polícia que invadiu o Carandiru, resultando na morte de 111 presos. Por mais que tais “seres inumanos” encontrem defensores, eles, seus pensamentos e práticas repulsivas serão apagados da história, ficando apenas a legenda de personagens indignos de qualquer ato a ser imitado. Pelos menos para pessoas de bem e que lutam por uma ordem social mais justa, fraterna, humana, evangélica.
Sobre os mortos-vivos, dentre tantos que podem ser destacados, enfoco dois pastores, um luterano alemão e outro batista norte-americano, Dietrich Bonhoeffer e Martin Luther King Júnior. Neste 4 de abril de 2006, recorda-se precisamente os 38 anos de sua morte (4/4/68). Hoje, o número de pessoas, em todo mundo, que conhecem, respeitam, lêem, admiram o pastor negro, prêmio nobel da paz e um gigante de Deus, é bem maior quando ele estava ainda vivo. O outro, Bonhoeffer, morto em 9 de abril de 1945, por ordem expressa de Hitler, em função de sua resistência ao nazismo alemão e submissão, embora controversa, a Deus. As obras do pastor e teólogo alemão, líder da igreja confessante, estão traduzidas em diversas línguas e os estudos acerca de sua teologia e vida pastoral são numerosos em todo mundo. A Editora Sinodal, que publica periodicamente no Brasil quase todos os seus livros, relançou “RESISTÊNCIA E SUBMISSÃO”, numa edição atualizada. Sobre Luther King, a Jorge Zahar Editor, lançou no domingo, 03/04, um livro do líder pelos direitos civis nos Estados Unidos, chamado “UM APELO À CONSCIÊNCIA – Os melhores discursos de M. L. King”.
Os dois mortos-vivos foram assassinados no desabrochar de sua maturidade, no início de sua capacidade e criatividade intelectual, no princípio de sua liderança pelas causas libertárias... Quanto mais teria ganhado a humanidade com a vida longa, isto é, toda a contribuição, ampla, sábia, transformadora, em tantas áreas, destes personagens especiais, destes servos de Deus?! Entretanto, aos 39 anos, ambos tiveram suas vidas violentamente ceifadas.
Ao lembrar destes fatos marcantes em abril, somos desafiados a conhecer mais e melhor a vida e contribuição desses personagens-símbolos da luta pela justiça no século XX e dessa forma nos inspirar, sobretudo naquele que é Senhor de Bonhoeffer e King, Jesus de Nazaré, a fim de que possamos ver os problemas, as injustiças, os pecados de nosso tempo e assim, agir radicalmente, como esses pastores ativistas do bem.
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